Vivemos em uma cultura que romantiza a produtividade, o “dar conta de tudo” e o autocontrole emocional. Nesse cenário, sentir-se cansado, irritado ou desconectado de si mesmo passa a ser visto como algo comum, quando, na verdade, pode ser um pedido de ajuda do organismo.
O corpo é o primeiro a perceber o que a mente tenta negar. Dores musculares constantes, tensão no maxilar, enxaquecas frequentes, alterações intestinais, queda de cabelo, insônia ou um cansaço que não passa nem após o descanso são alguns dos sinais mais comuns da ansiedade silenciosa. Muitas pessoas procuram médicos, fazem exames que, em geral, não apontam alterações significativas e seguem sem respostas. O que poucos percebem é que o sofrimento não está apenas no corpo, mas na forma como a vida tem sido vivida.
Do ponto de vista psicológico, a ansiedade silenciosa costuma estar ligada a um funcionamento interno marcado por exigência excessiva, medo de falhar, dificuldade de dizer “não” e uma constante necessidade de controle. São pessoas que sustentam rotinas intensas, relações desgastantes e responsabilidades emocionais sem espaço para escuta de si mesmas. A mente aprende a seguir, mas o corpo cobra a conta.
Ignorar esses sinais não faz a ansiedade desaparecer apenas a desloca. O que não é elaborado psiquicamente tende a se manifestar somaticamente. Por isso, não é raro que esse tipo de ansiedade evolua para quadros de adoecimento físico, crises mais intensas ou um profundo esgotamento emocional.
Reconhecer a ansiedade silenciosa é um ato de cuidado e responsabilidade consigo mesmo. Não se trata de fragilidade, mas de sensibilidade psíquica. Aprender a escutar o corpo, questionar ritmos desumanos e buscar apoio profissional são passos fundamentais para interromper esse ciclo.
Cuidar da saúde mental não é apenas tratar sintomas, mas compreender o que eles estão tentando comunicar. O corpo fala e, quando a mente aprende a escutar, o sofrimento deixa de precisar gritar.





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