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Janeiro Seco convida à reflexão sobre saúde cerebral e equilíbrio emocional, explica Dr. Luiz Severo



desafio do Janeiro Seco, que propõe 31 dias sem consumo de álcool, vai além de uma simples pausa após os excessos das festas de fim de ano. Para o médico Dr. Luiz Severo, especialista em dor e saúde integrativa, a campanha representa uma oportunidade concreta de escuta do próprio corpo e, principalmente, do cérebro.


“O Janeiro Seco funciona como um período de observação. Quando retiramos o álcool, conseguimos perceber com mais clareza como estão nosso sono, nossa memória, nossa concentração e nossa estabilidade emocional”, explica o médico.


Segundo Dr. Luiz Severo, embora o álcool seja socialmente associado ao relaxamento, seus efeitos sobre o sistema nervoso central são profundos e cumulativos.


“O etanol atua como um depressor cerebral. Ele interfere na comunicação entre os neurônios, altera neurotransmissores essenciais e reduz a capacidade do cérebro de se adaptar e se regenerar. Mesmo em quantidades consideradas sociais, o consumo frequente pode impactar memória, atenção e regulação emocional.”


Sono, memória e desempenho cognitivo


Um dos primeiros benefícios percebidos durante a abstinência, segundo o especialista, está relacionado à qualidade do sono.


“O álcool fragmenta o sono e reduz a fase REM, que é fundamental para consolidar a memória e organizar as emoções. Dormir após beber não é um sono reparador. Quando o álcool é suspenso, o cérebro volta a cumprir suas funções naturais de recuperação.”


Pacientes que aderem ao Janeiro Seco frequentemente relatam melhora da clareza mental, maior disposição ao acordar e redução da sensação de cansaço persistente.


Saúde mental e autorregulação emocional


Na saúde mental, os efeitos também são significativos. Dr. Luiz Severo destaca que o álcool pode provocar um efeito rebote de ansiedade e instabilidade emocional.


“O cérebro passa a depender de um estímulo externo para relaxar. Quando essa substância é retirada, o organismo precisa reaprender a regular emoções sozinho. Esse processo pode gerar desconforto inicial, mas é extremamente saudável a médio e longo prazo.”


Para o médico, esse período revela algo ainda mais importante: a relação emocional que cada pessoa construiu com o álcool.


“Se a ausência da bebida gera irritação intensa, ansiedade ou sensação de vazio, isso é um sinal de alerta. Muitas vezes, o álcool estava sendo usado como regulador emocional, e não apenas como um elemento social.”


Benefícios físicos e metabólicos


Além dos impactos neurológicos e emocionais, o corpo também responde rapidamente à abstinência. O fígado, órgão central na metabolização do álcool, encontra espaço para reduzir inflamações e regular melhor o metabolismo.


“É comum observar redução de inchaço, melhora do funcionamento intestinal, mais energia e até mudanças na composição corporal. O álcool oferece calorias vazias e favorece processos inflamatórios silenciosos.”


Consciência, não rigidez


Dr. Luiz Severo reforça que o Janeiro Seco não deve ser encarado como uma meta de perfeição, mas como um exercício de consciência.


“Não se trata de radicalismo ou culpa. Um deslize não invalida o processo. O mais importante é perceber como o corpo reage sem o álcool e usar essa informação para escolhas mais conscientes no futuro.”


Ao final dos 31 dias, a proposta não é apenas decidir se volta a beber, mas como e por que beber.


“O verdadeiro ganho do Janeiro Seco é o autoconhecimento. Ele nos convida a alinhar hábitos, saúde mental e bem-estar de forma mais responsável e intencional”, conclui.


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About Dr. Elexsandro Araújo

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