Em Recife, a história de Luciana Liberal da Mata Sales, 37 anos, e Pedro Vitor Ulisses Sales Silva, 34 anos, é um retrato de amor, força e resiliência. Pais do pequeno Gamaliel Liberal da Mata Sales Silva, hoje com apenas 5 meses, eles enfrentam com coragem os desafios do diagnóstico de pé torto congênito (PTC).
A descoberta aconteceu ainda durante a gestação, com 17 semanas, em um exame de ultrassonografia de rotina. O que era para ser apenas mais um acompanhamento comum, trouxe uma notícia inesperada: Gamaliel nasceria com PTC.
“Foi um momento de muita apreensão. Não sabíamos exatamente o que esperar, como seria o tratamento, e ainda existia a possibilidade de associação com alguma síndrome rara”, relembra Luciana.
Apesar de todos os outros parâmetros do exame estarem normais, a incerteza inicial mobilizou o casal. A partir daquele momento, eles mergulharam em pesquisas, buscaram especialistas e realizaram consultas com ortopedistas pediátricos ainda durante a gestação, com o objetivo de se prepararem para os próximos passos.
Determinados a agir com rapidez, faltando três meses para o nascimento, já haviam agendado consulta com um médico de referência na cidade, garantindo que o tratamento fosse iniciado o quanto antes.
O nascimento de Gamaliel ocorreu por cesárea, de forma tranquila, trazendo consigo um amor indescritível que rapidamente superou os medos iniciais.
Logo após o nascimento, iniciou-se a fase mais intensa do tratamento: visitas semanais à clínica para a realização dos gessos seriados, método essencial para a correção do PTC. Em seguida, Gamaliel passou por uma cirurgia chamada tenotomia.
Atualmente, ele está na fase do uso da órtese — uma botinha especial conectada por uma barra metálica, que precisa ser utilizada por 23 horas diárias durante três meses. Este tem sido um dos maiores desafios.
“No começo foi muito difícil. As perninhas precisam se movimentar juntas por causa da barra, e isso incomoda. Mas, aos poucos, ele está se adaptando”, conta a mãe.
A expectativa é positiva: o uso da órtese continuará até os 4 anos, inicialmente por longos períodos e, depois, de forma reduzida. A esperança da família é que Gamaliel tenha uma vida completamente normal, podendo andar, correr, brincar e viver plenamente sua infância.
Diante de tantas dúvidas e da dificuldade em encontrar relatos reais durante a gestação, Luciana decidiu transformar sua experiência em apoio para outras famílias. Assim nasceu o perfil @dadivadomaternar.
“O processo não é simples. Não é fácil ver nosso filho sentir dor ou desconforto. Mas entendemos que tudo isso faz parte da recuperação. Criar esse espaço foi uma forma de ajudar outras mães que, assim como eu, buscavam respostas e acolhimento.”
Hoje, Luciana mantém um canal ativo de troca e informação, recebendo mensagens de mães que já passaram, que estão vivendo ou que ainda irão enfrentar o mesmo diagnóstico. Entre dúvidas, relatos e agradecimentos, ela segue fortalecendo uma rede de apoio que transforma dor em esperança.
Mais do que uma história sobre um diagnóstico, essa é uma narrativa sobre amor, preparo e a força de uma família que decidiu enfrentar o desconhecido com coragem, e, no caminho, iluminar o trajeto de muitos outros.





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