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Você escolhe o que fazer no dia a dia como pai? Ou você sabe o que PRECISA ser feito no dia a dia como pai?

Você escolhe o que fazer no dia a dia como pai?

Ou você sabe o que PRECISA ser feito no dia a dia como pai?

Nós homens fomos educados a nos relacionar com o cuidado de uma forma muito específica. Aprendemos que cuidar é ajudar. Que a nossa principal responsabilidade é prover. Que o nosso valor está diretamente ligado à nossa capacidade de trazer dinheiro para dentro de casa.

Enquanto isso, organizar a rotina, perceber necessidades, acompanhar o desenvolvimento dos filhos, compartilhar a carga invisível, participar das decisões e conhecer o cotidiano da família acabam sendo vistos como responsabilidades de outra pessoa.

Mas existe um problema nessa lógica.

Pai não ajuda.

Quem ajuda está apoiando uma responsabilidade que pertence a outra pessoa.

Pai não ajuda a criar os filhos.

Pai cria os filhos.

Pai não ajuda na rotina.

Pai é responsável pela rotina.

Pai não ajuda a perceber necessidades.

Pai precisa desenvolver a capacidade de percebê-las.

E a ideia aqui não é apontar o dedo para ninguém. Muito menos para os homens que, assim como eu, foram educados dentro dessa perspectiva.

A questão é que existe uma diferença enorme entre participar da vida dos filhos e assumir responsabilidade por ela.

Esses dias eu estava dobrando as roupas das meninas.

Uma tarefa simples.

Daquelas que muitas vezes aprendemos a considerar pequenas demais para o nosso tempo. Afinal, dentro da lógica do homem provedor, não seria mais eficiente trabalhar mais algumas horas e pagar alguém para fazer isso?

Mas enquanto eu dobrava as roupas, percebi algumas coisas.

A Maria está desfraldando durante o dia. Ao dobrar suas calcinhas, percebi que precisamos comprar algumas novas.

As roupas da Sofia já estão ficando pequenas. Algumas peças já estão no limite. Outras já passaram do limite.

E foi aí que caiu uma ficha importante.

Eu não estava apenas dobrando roupas.

Eu estava observando.

Eu estava aprendendo.

Eu estava percebendo necessidades que só são percebidas quando ocupamos, de fato, o lugar de responsáveis.

E do outro lado dessa percepção existe uma mulher que nunca teve a opção de não perceber. Que carrega esse mapa há anos, sozinha, muitas vezes sem que ninguém ao lado sequer soubesse que ele existia.

Esse texto não dá conta de nomear tudo que ela acumulou. Mas precisa, ao menos, reconhecer.

Existe ainda uma camada mais profunda nessa conversa.

Porque quando eu considero determinadas tarefas pequenas demais, simples demais ou pouco produtivas para o meu tempo, quase sempre estou transferindo esse trabalho para outra mulher.

E quando ampliamos a lente, essa conversa inevitavelmente toca questões de gênero, classe e raça.

Mas antes de chegar lá, existe uma pergunta mais básica:

Por que eu considero que essas responsabilidades não são minhas?

Talvez a maturidade parental comece quando deixamos de perguntar:

"O que esperam de mim?"

E passamos a perguntar:

"O que precisa ser feito?"

Porque quem espera instruções ainda depende de alguém para organizar sua relação com os filhos.

Quem ocupa o lugar de adulto observa, antecipa, organiza e age.

A minha função como pai exige afeto, presença e carinho.

Mas exige também atenção, responsabilidade e consciência.

Observar.

Antecipar.

Organizar.

Proteger.

Cuidar, no fim das contas, talvez tenha muito mais a ver com isso do que fomos ensinados a acreditar.

Me conta nos comentários: você sabe o número de roupa dos seus filhos agora?

E se esse texto fez sentido pra você, compartilha com um pai que você respeita. Não pra cobrar. Pra convidar.

Texto do Léo Scopin.

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