Quando a dor se torna permanente, o sofrimento ultrapassa as barreiras do corpo. Para milhões de pessoas, a dor crônica afeta não apenas a saúde física, mas também emoções, relacionamentos, trabalho e qualidade de vida. Hoje, a ciência compreende a dor como uma experiência biopsicossocial.
A IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor) reconhece que a experiência dolorosa é pessoal e multifatorial, reforçando a importância de uma abordagem integrada. Nesse contexto, a psicologia desempenha papel fundamental ao ajudar pacientes a compreender e modificar processos cognitivos, emocionais e comportamentais que influenciam a percepção da dor.
Abordagens baseadas em evidências, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), ocupam papel de destaque nesse cuidado. A TCC auxilia na identificação e reestruturação de pensamentos catastróficos relacionados à dor, além de reduzir comportamentos de evitação que podem aumentar a incapacidade funcional. Já a ACT promove flexibilidade psicológica, incentivando a aceitação da experiência dolorosa e o engajamento em ações alinhadas aos valores pessoais, mesmo diante das limitações impostas pela condição. Estudos mostram que essas intervenções favorecem a funcionalidade, reduzem sintomas de ansiedade e depressão e melhoram a qualidade de vida. Reconhecer os fatores psicológicos envolvidos na dor não significa que ela seja imaginária, mas compreender sua complexidade para promover um cuidado mais humano, científico e eficaz.
Érica Santana é psicóloga, pós-graduada em Prevenção e Posvenção do Suicídio, pós-graduanda em Saúde Mental e membro da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.





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