A arte contemporânea ganha novos significados quando consegue provocar reflexão, emoção e pertencimento. É exatamente essa experiência que o artista visual e artesão Eliú Damasceno proporciona ao público por meio de suas criações, que unem escultura, instalação, reciclagem e memória afetiva em uma linguagem artística profundamente humana.
Idealizador do projeto Conexões Viscerais e do Atelier Mogno, Eliú vem conquistando reconhecimento ao transformar materiais cotidianos em obras de grande impacto visual. Sua produção estabelece um diálogo entre o corpo humano e o espaço urbano, convidando o visitante a refletir sobre as relações, os afetos e a coletividade.
O maior símbolo dessa trajetória é a instalação “Visceral”, um coração monumental cujas artérias se expandem pelo ambiente expositivo, criando a metáfora de uma cidade viva, onde memórias, histórias e emoções circulam como sangue pelas veias de um organismo coletivo. A obra, que nasceu no Centro de Artes e Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), ganhou projeção nacional ao ocupar a CAIXA Cultural Recife na exposição “Conexões Viscerais”, reunindo também registros fotográficos do processo criativo e atividades educativas com o público.
Mais do que impressionar pelas dimensões da instalação, Eliú propõe uma experiência sensorial que desperta o olhar para a importância das conexões humanas. Cada elemento da obra carrega uma narrativa construída a partir de pesquisas, experimentações e do trabalho coletivo desenvolvido ao lado de estudantes e artistas colaboradores.
Sua relação com o artesanato também tem raízes familiares. A trajetória começou ainda na infância, quando materiais reaproveitados pela família despertaram sua criatividade. Anos depois, esse percurso foi consolidado com reconhecimento na Fenearte, fortalecendo sua identidade artística e sua atuação na valorização da arte produzida em Pernambuco.
Nas redes sociais, Eliú compartilha os bastidores do processo criativo, revelando que cada obra nasce de um intenso trabalho manual, pesquisa estética e experimentação de materiais. Seu perfil evidencia que a arte não está apenas no resultado final, mas também no caminho percorrido até que cada peça ganhe vida.
Ao visitar suas exposições, o público encontra muito mais do que esculturas e instalações. Encontra uma oportunidade de compreender a cidade como extensão do próprio corpo, percebendo que nossas histórias individuais só fazem sentido quando conectadas ao coletivo.
Em um cenário onde a arte assume papel cada vez mais importante na construção de identidade cultural, Eliú Damasceno consolida-se como um dos artistas pernambucanos que unem inovação, sensibilidade e compromisso social, mostrando que a arte pode, literalmente, fazer um coração pulsar dentro da cidade.
Elexsandro Araújo
Jornalista - DRT 7393





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