A osteoartrose é frequentemente associada ao envelhecimento e, muitas vezes, encarada como uma condição inevitável. Entretanto, embora as alterações estruturais da coluna façam parte da evolução natural do organismo, a dor e a limitação funcional não devem ser consideradas consequências obrigatórias do envelhecimento. Atualmente, sabe-se que a osteoartrose é uma doença complexa, que envolve alterações biomecânicas, inflamatórias e funcionais, exigindo uma abordagem terapêutica baseada em evidências.
Na coluna vertebral, a osteoartrose compromete principalmente as articulações facetárias, os discos intervertebrais e o osso subcondral. Com a progressão da doença, ocorre desgaste da cartilagem, formação de osteófitos, diminuição da mobilidade e aumento da sobrecarga sobre estruturas adjacentes. Paralelamente às alterações mecânicas, há intensa atividade biológica. Citocinas inflamatórias, como a interleucina-1 beta (IL-1β), o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e a interleucina-6 (IL-6), estimulam enzimas degradativas, como as metaloproteinases (MMPs), acelerando a degradação da matriz cartilaginosa e perpetuando um ciclo de inflamação, dor e perda funcional.
Durante muitos anos, acreditou-se que o melhor tratamento para a osteoartrose seria o repouso. Hoje, a ciência demonstra exatamente o contrário: o movimento é um dos principais recursos terapêuticos. Quando bem prescrito, ele reduz a dor, melhora a função, preserva a mobilidade e contribui para o controle do processo inflamatório. É nesse contexto que o Método Pilates se destaca.
Entre os "ajustes" e comandos do Pilates, um dos mais relevantes para pacientes com osteoartrose da coluna é o *crescimento axial*. Mais do que o comando clássico de "crescer pelo topo da cabeça", trata-se de um conceito biomecânico que promove o alinhamento da coluna por meio da ativação coordenada do centro de força (Power House), envolvendo toda a musculatura que o envolve.
É importante esclarecer um equívoco frequente: o crescimento axial não aumenta permanentemente o espaço entre as vértebras nem reverte a degeneração causada pela artrose. O que ele promove é uma reorganização das forças mecânicas aplicadas sobre a coluna. Ao reduzir a compressão excessiva das facetas articulares e distribuir melhor as cargas, cria condições para que o movimento ocorra com menor estresse sobre as estruturas comprometidas, diminuindo a dor e favorecendo a funcionalidade.
Outro benefício importante do movimento controlado é a melhora da lubrificação das articulações. As facetas vertebrais são articulações sinoviais e dependem do movimento para distribuir adequadamente o líquido sinovial, responsável pela nutrição da cartilagem e pela redução do atrito entre as superfícies articulares. Da mesma forma, os discos intervertebrais, embora não possuam irrigação sanguínea direta, recebem nutrientes por difusão, processo favorecido pela alternância entre compressão e descompressão promovida pelos exercícios.
Entretanto, nem todo exercício é indicado para todos os pacientes. A prescrição deve considerar o estágio da doença, os sintomas e a capacidade funcional. Exercícios que promovem crescimento axial, estabilização segmentar, fortalecimento do centro de força e mobilidade em amplitudes confortáveis costumam apresentar excelentes resultados. Já movimentos realizados com hiperextensão lombar acentuada, flexões extremas ou rotações combinadas com flexão podem aumentar a sobrecarga sobre as articulações degeneradas e exacerbar os sintomas quando prescritos de forma inadequada.
Isso não significa que determinados exercícios sejam proibidos. Na prática clínica, o conceito mais importante é a individualização. Um Swan pode ser perfeitamente executado por um paciente com boa mobilidade torácica e sem dor, enquanto outro poderá necessitar de adaptações ou até mesmo da substituição temporária do exercício. O mesmo raciocínio se aplica ao Roll Over, Jack Knife ou exercícios com grandes amplitudes de movimento. O critério não deve ser o nome do exercício, mas a capacidade do paciente de executá-lo com controle, alinhamento e ausência de agravamento dos sintomas.
O Pilates não deve ser entendido como uma sequência rígida de exercícios, mas como um método fundamentado em princípios biomecânicos. Adaptar um exercício não significa descaracterizá-lo; significa respeitar a condição clínica do indivíduo sem perder os objetivos terapêuticos do movimento. Da mesma forma, adaptar indiscriminadamente, sem preservar os princípios do método, pode fazer com que o exercício deixe de ser Pilates.
A mensagem mais importante é que a osteoartrose não contraindica o movimento; ela exige um movimento mais inteligente. O crescimento axial, associado ao controle motor, à respiração e à estabilização segmentar, permite reduzir sobrecargas, melhorar a distribuição das forças sobre a coluna e devolver ao paciente aquilo que a dor frequentemente lhe retira: a confiança para se movimentar.
Mais do que fortalecer músculos, o Pilates ensina o corpo a distribuir cargas de maneira eficiente. E, quando isso acontece, o paciente não apenas sente menos dor, mas recupera sua autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.
Por Estela Maris: Fisioterapeuta, Mestre em Ensino em Saúde e Especialista em Pilates e Treinamento Funcional e Fisiologia Clínica do Exercício





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