header ads
header ads

ALZHEIMER: O FUTURO DA MEMÓRIA PODE COMEÇAR DÉCADAS ANTES DO ESQUECIMENTO



Não precisamos esperar a memória desaparecer para começar a cuidar dela.

Setembro é o Mês Mundial do Alzheimer e, em 2026, a campanha internacional reforça uma mensagem fundamental: “The Earlier You Know, The More You Can Do” — quanto mais cedo você souber, mais poderá fazer.

A frase representa uma mudança importante na forma como a medicina compreende a doença de Alzheimer. Durante muito tempo, a condição esteve associada principalmente ao esquecimento progressivo e à perda de autonomia. Hoje, porém, sabe-se que alterações relacionadas ao processo neurodegenerativo podem começar muitos anos antes do surgimento dos primeiros sintomas evidentes.

UM DESAFIO CRESCENTE

A dimensão global da demência é crescente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 57 milhões de pessoas viviam com demência no mundo em 2021, com aproximadamente 10 milhões de novos casos a cada ano. A doença de Alzheimer responde por cerca de 60% a 70% dos casos de demência.

No Brasil, estima-se que aproximadamente 2,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais vivam com demência, número que poderá chegar a 5,6 milhões em 2050.

Mas, diante desse cenário, uma das informações mais importantes é que parte dos fatores associados ao risco pode ser modificada.

PREVENÇÃO COMEÇA ANTES DOS SINTOMAS

Evidências científicas indicam que até 45% dos casos de demência podem estar associados a fatores potencialmente modificáveis, entre eles hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, isolamento social, depressão e perdas auditiva e visual não tratadas.

Cuidar do cérebro, portanto, também significa cuidar da saúde ao longo de toda a vida.

A construção da chamada reserva cognitiva também ocupa espaço importante nessa discussão. Atividade física regular, leitura, aprendizado de novas habilidades, música, interação social, sono adequado e estímulo intelectual podem contribuir para um envelhecimento cerebral mais saudável.

NOVAS TERAPIAS E DIAGNÓSTICO PRECOCE

O tratamento da doença também atravessa uma fase de transformação. Medicamentos direcionados à proteína beta-amiloide, como lecanemabe e donanemabe, representam uma nova etapa terapêutica para pacientes selecionados e em fases iniciais da doença.

Paralelamente, os biomarcadores sanguíneos vêm ganhando espaço na investigação do Alzheimer e podem, no futuro, tornar parte do processo diagnóstico mais acessível e menos invasivo.

Outra fronteira de pesquisa envolve a neuromodulação. Técnicas como a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), a fotobiomodulação e a estimulação do nervo vago vêm sendo estudadas por seus possíveis efeitos sobre memória, atenção e plasticidade cerebral. Apesar dos resultados promissores em algumas linhas de pesquisa, essas estratégias ainda estão em investigação e não substituem os tratamentos estabelecidos.

CÉREBRO E METABOLISMO

A relação entre cérebro e metabolismo também vem recebendo cada vez mais atenção científica. Diabetes, resistência à insulina, inflamação sistêmica, saúde cardiovascular, qualidade do sono, alimentação e até alterações da microbiota intestinal estão sendo investigados dentro de uma visão mais ampla dos mecanismos relacionados à neurodegeneração.

A compreensão do Alzheimer, portanto, deixa de estar restrita à memória e passa a envolver uma rede complexa de fatores que acompanham o indivíduo durante toda a vida.

A PERGUNTA QUE PRECISA MUDAR

A grande mudança está na pergunta que fazemos diante da doença.

Em vez de pensarmos apenas “como tratar o Alzheimer?”, precisamos também perguntar:

“Quanto antes podemos começar a proteger esse cérebro?”

Diante de milhões de novos casos de demência todos os anos, falar sobre Alzheimer hoje significa falar também sobre prevenção, diagnóstico precoce, saúde cardiovascular e metabólica, novas terapias, pesquisa científica e qualidade de vida.

Cuidar da memória não precisa começar quando o esquecimento aparece. Pode começar muito antes.

Não precisamos esperar a memória desaparecer para começar a cuidar dela.

Dr. Luiz Severo
Neurocirurgião funcional | Médico da Dor
Professor, escritor, pesquisador e PhD em Neurociência


Share on Google Plus

About Dr. Elexsandro Araújo

This is a short description in the author block about the author. You edit it by entering text in the "Biographical Info" field in the user admin panel.
    Blogger Comment

0 Post a Comment:

Postar um comentário

Uninassau


Publicidade

Anuncie aqui!

Anuncie aqui!